Em 1957, o prefeito Zezete criou o primeiro órgão público de turismo de Congonhas
A
formação das secretarias de turismo está diretamente ligada à consolidação do
turismo como atividade econômica. Esse processo ganhou força a partir da
segunda metade do século XX, quando o tema passou a integrar a pauta
governamental. Inicialmente, os órgãos responsáveis pelo setor funcionavam
vinculados a outras áreas, como cultura e educação, até que surgiram as
primeiras secretarias estaduais e municipais voltadas exclusivamente para o
turismo.
Em
1957, após a conclusão do asfaltamento da Rodovia BR-3 — atual BR-040 —, o
então prefeito José Theodório da Cunha, conhecido como Zezete, percebeu o
potencial que o novo acesso rodoviário traria para o desenvolvimento turístico
de Congonhas. Visionário e atento às oportunidades, decidiu criar um órgão
voltado especificamente para o tema, o “Serviço de Turismo”, iniciativa inédita
em Minas Gerais.
Ao
apresentar a proposta aos vereadores, o prefeito explicou suas motivações:
Em várias oportunidades, ao regressarmos de viagens em que
tratávamos de assuntos do máximo interêsse ao desenvolvimento de nossa Comuna,
temos sido cientificados com a notícia que visitantes ilustres aqui estiveram,
alguns até com recomendações governamentais, sem terem sido condignamente
recebidos. Devemos reconhecer que o número de funcionários municipais é
pequeno, e, em virtude disto, nem sempre podem ditos servidores atender a estas
obrigações sociais. Para evitarmos que fatos como os que acima relacionamos se
repitam, lembramo-nos de sugerir aos nobres Vereadores a criação de um 'Serviço
de Turismo', bem como do cargo de 'Encarregado do Serviço', que deverá ser
ocupado por pessoa habilitada, a quem ficariam afetas as responsabilidades das
referidas recepções, e que teria sobre os seus ombros o encargo do incentivo ao
turismo em Congonhas.[1]
Diferentemente de hoje — quando a receita anual do município
ultrapassa 1 bilhão de reais —, na época o orçamento era bastante limitado. Por
isso, o prefeito justificou que, para custear as despesas do novo setor, seria
instituída uma taxa de turismo: “Já cobrada em todas as cidades com estâncias
hidrominerais, a razão de 5% sobre o valor das despesas de hospedagem, exigida
pelos hoteleiros ou proprietários de pensões, dos turistas ou visitantes.”
Com a criação do órgão, Zezete deu um passo pioneiro na
história administrativa de Congonhas. Nomeou para o cargo de chefe do novo
serviço o professor José Casais Santaló, que se tornou o primeiro responsável
por um órgão público específico de turismo na cidade.
Uma
das primeiras ações do novo Setor de Turismo foi investir na divulgação de
Congonhas nos principais jornais impressos do país, buscando promover a cidade
como destino histórico e cultural. A partir de então, passaram a ser destinados
recursos específicos para essa iniciativa, marcando o início de uma política
pública voltada à valorização e à projeção da imagem de Congonhas em âmbito
nacional.
Relembrar
ações como essa é fundamental. É por meio da pesquisa, da escrita e da
divulgação de fatos pouco conhecidos que preservamos nossa memória coletiva e
reconhecemos o valor daqueles que contribuíram para construir a história de
Congonhas. Zezete merece ser lembrado como um exemplo de gestor público que
enxergou o potencial de sua terra e trabalhou com dedicação para transformá-lo
em realidade.
Paulo Henrique de Lima Pereira
Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais



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