Em 1929, Congonhas recebeu a visita do Vice-Presidente da República, Fernando de Melo Viana

 



No dia 8 de dezembro de 1929, Congonhas recebeu a visita do vice-presidente da República, o mineiro Fernando de Melo Viana — um acontecimento que se tornou um dos marcos mais expressivos da história local.


Em Joaquim Murtinho, onde desembarcou sob grande entusiasmo na Estação Ferroviária, o vice-presidente foi saudado por Sinfrônio Xisto dos Reis, então 1º Juiz de Paz do distrito de Alto Maranhão. Logo depois, Melo Viana seguiu para Congonhas do Campo, onde, conforme noticiou o jornal carioca O País, a polícia teria tentado restringir a presença popular: “Promovendo ameaças e prisões e impedido o comparecimento de bandas de música locais”[1]. Apesar das tentativas, o esforço foi inútil — a população não se intimidou e compareceu em grande número para recepcionar a autoridade.

Ao chegar à Estação Ferroviária de Congonhas do Campo, Fernando Melo Viana foi recebido festivamente pela Banda Souza Costa. Em seguida, o ex-vereador Antônio Manso Filho, mencionado pelo Jornal Queluz como “forte influência política no Distrito Alto Maranhão”[2], além do vereador Cornélio Souza Costa (1865-1973), pronunciaram eloquentes discursos em nome do Comitê Pró Júlio Prestes.[3]

Naquele período, em Congonhas do Campo, as famílias Manso e Souza Costa — tradicionalmente aliadas na política local — reforçaram sua parceria para apoiar a candidatura de Júlio Prestes à presidência da República. Alinhavam-se, assim, à mesma corrente política de Fernando Melo Viana e posicionavam-se contra a Aliança Liberal, liderada por Getúlio Vargas.

Com o apoio de seu amigo Antônio Manso Filho, o vereador Cornélio Souza Costa já havia fundado o Comitê Pró Júlio Prestes de Congonhas, presidido por Manso Filho e composto também por Gumercindo Souza Costa, José da Silva Athayde, Fortunato Coelho Ferreira, Justino Aquino, Aristides Lobo, Benevides Balbino, José Patrocínio Barbosa e outros 30 moradores da cidade.[4]

A visita de Melo Viana consolidou, assim, não apenas o engajamento político das lideranças locais, mas também o protagonismo de Congonhas do Campo no cenário político mineiro e nacional às vésperas da Revolução de 1930. O episódio permanece como um símbolo da participação ativa da cidade nos debates e disputas que marcaram um dos períodos mais decisivos da história republicana brasileira.

Por Paulo Henrique de Lima Pereira
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[1] O Paiz, 22 de dezembro de 1929, p. 9.
[2] Jornal de Queluz, 14 de dezembro de 1929, p. 4.
[3] O Paiz, 18 de dezembro de 1929, p. 10.
[4] Sobre o comitê, ver: O Tempo, 22 de novembro de 1929, O Paiz, 24 de novembro de 1929, p. 7; Gazeta de Notícias, 23 de novembro de 1929, p. 2.

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